Nas férias de julho de 2010, já com a autoconfiança necessária para tais empreendimentos, fomos mais longe: de Recife - PE a Milho Verde - MG. Antes de viajar li vários livros sobre viagens de moto, entre eles "Zen e a arte da Manutenção de Motocicletas", de Robert Pirsig, muito útil para mim. Nele aprendi a evitar BRs e grandes rodovias e a seguir por estradas secundárias. ´
Saímos de Recife e paramos inicialmente em Lagoa Redonda, Distrito de Pirambu - SE. Um lugar muito bonito. De lá seguimos, sempre pelo litoral, até a praia de Santo Antônio, no município de Mata de São João, na Linha Verde, Bahia. Ambos os locais já conhecíamos de visitas anteriores. Apartir daí, cruzamos Salvador, pegamos o ferry-boat até a Ilha de Itaparica, cruzamos a Ilha e chegamos, já às 17h, no início da BA 030, que sobe a Península de Maraú. Foram 50 km de barro, com muitas poças dágua e lama. Pior ainda, escureceu e a visibilidade tornou-se precária. Um dia para superar limites. Passamos dos 1000 km viajados, levamos o primeiro tombo, mas chegamos incólumes até a praia de Barra Grande: fomos recompensados com uma paisagem incrível!!! Belas praias, semi-desertas, tudo maravilhosamente belo. Depois de três dias no paraíso, renovamos as energias para enfrentar novamente a BA 030, agora de dia, menos difícil. e de lá, rapidamente chegamos a Itacaré. Lugar lindo, porém mais urbano. As praias desertas não visitamos, pois dependiam de guia e precisávamos economizar. Seguimos então, até a praia de Santo André, em Santa Cruz de Cabrália, próximo a Porto Seguro. Lugar lindo. Lá concluímos o trecho de litoral: chegara a hora de entrar rumo oeste, até Milho Verde - MG. Seguimos inicialmente até Carlos Chagas, já em Minas, onde pernoitamos na casa da agradável tia de minha amada, dona Romilda. Cedinho seguimos até Serro, chegando perto das 18h. Faltavam agora apenas 18km, mas levamos 2h para fazer o trecho, todo de barro, em obras de pavimentação, cheio de desvios e muita, muita lama. Pista sinuosa, com subidas e descidas, e para agravar, um fluxo no sentido contrário: ônibus e carros que voltavam do primeiro dia do festival cultural de Milho Verde. Além disso, os pneus estavam bastante carecas, se consumiram muito mais rápido do que imaginei. Ao chegarmos, encontramos meu amigo Léo, nosso anfitrião, no largo da igreja. O odômetro parcial marcava exatos 2.666 km rodados. Passamos onze maravilhosos dias em Milho: cachoeiras de dia, shows à noite, muitos amigos, novos e antigos, muita comida gostosa, violão e, claro, muita caninha com mel de abelha, pra espantar o frio que estava grande. Na volta, seguimos rumo norte, voltamos pelo sertão, paramos rapidamente em Mucugê, na Chapada Diamantina - BA. De lá Jeremoabo - BA e enfim retornamos ao Recife: 5200km de muita aventura!!!
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