terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Adentrando no sertão...

Peguei mais um trabalho: pesquisa em cidades do Rio Grande do Norte, cidades estas que nunca tinha ouvido falar. Aliás, das três (Alexandria, Almino Afonso e Água Nova), apenas a primeira constava no meu mapa rodoviário (Guia quatro rodas 2009). Alto-oeste do estado, tive a oportunidade de conhecer um pouco da difícil realidade em que tantos brasileiros vivem, longe das grandes cidades. A dificuldade em conseguir água faz com que em algumas casas as pessoas acordem de madrugada pra abastecê-las. E os projetos de abastecimento? Ninguém sabe, ninguém viu. Também falta comida, falta escola, falta saúde, enfim, falta quase tudo... O que sobra é a disposição pra lutar pela vida, em condições tão desfavoráveis. Fiquei comovido com a vida tão dura levada por essa gente esquecida. E principalmente por constatar que a humildade em que eles vivem não os impedem de ser solidários, inclusive com os citadinos como eu, um forasteiro longe do seu conforto. Oferecem café, lanche, ou nos convidam pra almoçar, sempre oferecendo as melhores porções, sempre tentando agradar. Meus olhos marejam e meu sangue esquenta com o descaso desses governantes que desviam recursos de um povo tão pobre. Brasil, País de todos? Isto é uma grande piada!!!  

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A existência tuaregue

Li num livro sobre motociclismo (Grãos de Areia), que após um dia difícil, devemos ser humildes e nos regalarmos com pouco. Chegamos a nos hospedar em São Luiz Gonzaga do Maranhão, mas apenas por poucas horas. Me senti como se estivesse entre os tuaregues: banho de cuia, quarto sem banheiro, teias de aranha no telhado, e muito, muito calor, que o ventilador não dá conta de amenizar. Resolvemos então pagar a diária e voltar pro hotel em Bacabal. Conhecemos muitas pessoas durante a pesquisa e nos afeiçoamos com várias. Com Francisco, o Véio, fizemos uma boa amizade. Comecei a entender melhor a realidade do homem do campo, suas dificuldades, sua luta, sua humildade e sua alegria, por poder ter uma terra e nela plantar. Agora estou aqui no quarto escrevendo essas palavras enquanto me preparo pra mais um dia de "Cinema, aspirinas e urubus". Saudade do litoral, saudade de Milho Verde e de um banho de cachoeira... mas a missão só começou: ainda temos cinco processos pra concluir. Enquanto isso, conto os dias pro revellion na Chapada Diamantina. Os tuaregues realmente têm muito a ensinar. Devido às dificuldades impostas a quem mora no deserto, um copo d'água pode ter o sabor da melhor bebida imaginável, uma sombra pra se proteger pode ser como um hotel cinco estrelas e uma esteira numa tenda o melhor leito. Não entende o que digo? Então venha fazer pesquisa no interior do Maranhão...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Desbravando o interior do Maranhão

Ah trabalho que eu gosto: viajar!!!
Peguei uma pesquisa pra ser aplicada na área rural do Maranhão, nos municípios de Lago Verde e São Luiz Gonzaga do Maranhão. Pois bem, estou aqui, vivendo num cenário de "Cinema, aspirinas e urubus". Estamos, eu e minha amada, viajando por estradas de barro, num calor incrível, visitando propriedades rurais primeiramente de Lago Verde.  Na quarta iremos pra São Luiz Gonzaga do Maranhão. Estamos de carro, mas a emoção de viajar, de desbravar novos lugares, é a mesma!!! Estamos hospedados em Bacabal, temos que ir dormir, amanhã iremos acordar cedo, pois nos reuniremos com uma liderança local pra explicar o motivo da nossa visita. abraço a todos que lêem este blog!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

De Recife a Minas Gerais: 5200 km de muitas praias e cachoeiras

Nas férias de julho de 2010, já com a  autoconfiança necessária para tais empreendimentos, fomos mais longe: de Recife - PE a Milho Verde - MG.  Antes de viajar li vários livros sobre viagens de moto, entre eles "Zen e a arte da Manutenção de Motocicletas", de Robert Pirsig, muito útil para mim. Nele aprendi a evitar BRs e grandes rodovias e a seguir por estradas secundárias. ´
Saímos de Recife e paramos inicialmente em Lagoa Redonda, Distrito de Pirambu - SE. Um lugar muito bonito. De lá seguimos, sempre pelo litoral, até a praia de Santo Antônio, no município de Mata de São João, na Linha Verde, Bahia. Ambos os locais já conhecíamos de visitas anteriores. Apartir daí, cruzamos Salvador, pegamos o ferry-boat até a Ilha de Itaparica, cruzamos a Ilha e chegamos, já às 17h, no início da BA 030, que sobe a Península de Maraú. Foram 50 km de barro, com muitas poças dágua e lama. Pior ainda, escureceu e a visibilidade tornou-se precária. Um dia para superar limites. Passamos dos 1000 km viajados, levamos o primeiro tombo, mas chegamos incólumes até a praia de Barra Grande: fomos recompensados com uma paisagem incrível!!! Belas praias, semi-desertas, tudo maravilhosamente belo. Depois de três dias no paraíso, renovamos as energias para enfrentar novamente a BA 030, agora de dia, menos difícil. e de lá, rapidamente chegamos a Itacaré. Lugar lindo, porém mais urbano. As praias desertas não visitamos, pois dependiam de guia e precisávamos economizar. Seguimos então, até a praia de Santo André, em Santa Cruz de Cabrália, próximo a Porto Seguro. Lugar lindo. Lá concluímos o trecho de litoral: chegara a hora de entrar rumo oeste, até Milho Verde - MG. Seguimos inicialmente até Carlos Chagas, já em Minas, onde pernoitamos na casa da agradável tia de minha amada, dona Romilda. Cedinho seguimos até Serro, chegando perto das 18h. Faltavam agora apenas 18km, mas levamos 2h para fazer o trecho, todo de barro, em obras de pavimentação, cheio de desvios e muita, muita lama. Pista sinuosa, com subidas e descidas, e para agravar, um fluxo no sentido contrário: ônibus e carros que voltavam do primeiro dia do festival cultural de Milho Verde. Além disso, os pneus estavam bastante carecas, se consumiram muito mais rápido do que imaginei. Ao chegarmos, encontramos meu amigo Léo, nosso anfitrião, no largo da igreja. O odômetro parcial marcava exatos 2.666 km rodados. Passamos onze maravilhosos dias em Milho: cachoeiras de dia, shows à noite, muitos amigos, novos e antigos, muita comida gostosa, violão e, claro, muita caninha com mel de abelha, pra espantar o frio que estava grande. Na volta, seguimos rumo norte, voltamos pelo sertão, paramos rapidamente em Mucugê, na Chapada Diamantina - BA. De lá Jeremoabo - BA e enfim retornamos ao Recife: 5200km de muita aventura!!!

A viagem de 1000 km: Galinhos RN

Uma vez adquirida a confiança e sentido o prazer, faltava aumentar os percursos, sem medo. Fomos então pra Caiçara do Norte e Galinhos, no litoral norte do Rio Grande do Norte. Aí a vantagem de estar de moto logo apareceu: pra chegar em Galinhos, um praia maravilhosa, tivemos que colocar a moto na areia da praia e seguir 28 km pela orla. Foi massa!!! Isso é que é liberdade!!! 1000 km de muita aventura, seguindo por pistas inéditas.

Enfim, as viagens de moto começam a acontecer...

Coloquei na Tornado um bauleto Givi popular, suportes para alforges laterais feitos por encomenda a um artífice, encosto para a garoupa, pisca-alerta, alforge de tanque, alforges laterais...Preparei um kit socorro que inclui, entre outros itens: câmaras de ar dianteira e traseira, setas, lâmpadas, fusíveis, cabo de embreagem, reparadores instantâneos de pneus, chaves e ferramentas para troca de pneus e para desmonte de carenagens, etc... Depois, munido de mapas e guias turísticos, comecei a escolher roteiros. Primeiramente, chamei a minha namorada e fomos juntos até Ponta de Seixas, uma praia de João Pessoa. Foi uma viagem curta, de 250 km ida e volta, só pra testar a funcionalidade da motocicleta. A praia infelizmente é bem poluída.
 Deu certo. então seguimos pra Japaratinga - AL na primeira oportunidade: 300 km ida e volta, e uma praia muito bela que vale à pena visitar. Ah, esqueci de dizer que levamos conosco em todas as viagens material de camping e pesquisamos se os locais possuem campings, assim economizamos com hospedagem.

Como tudo começou...

Desde criança sempre gostei de viajar. Minha irmã Fátima me levava pra acampar, geralmente em belas praias do litoral pernambucano, isso na década de 70 e 80, época em que lugares como Xaréu, Calhetas e Suape eram pequenas vilas ou ainda praias semi-desertas. Aos 17 anos ingressei na Marinha do Brasil, e lá, infelizmente viajei pouco, mas isso só aumentou a minha vocação para aventuras. Morei no Rio de Janeiro de 89 a 97, e nesse período comprei o primeiro carro, um fusca bordô nomeado de Zapata. Com ele aprendi a dirigir, pela cidade e pelas BRs. Inicialmente fui pra Cachoeiro de Itapemirim - ES, a 400km do Rio. Já com o segundo carro, um outro fusca bordô, o Pancho, vim do Rio ao Recife, nas férias de 96.
Nessas viagens, como nas da infância e adolescência, prevaleciam os improvisos e as dificuldades. Isso quer dizer, viajava sem mapas, sem saber onde seriam os prováveis locais de parada, sem fazer levantamento das atrações turísticas do caminho...já viajei até sem estepe!
Em 97 voltei a morar em recife, e em 99 comprei a primeira moto, uma XR 200, com o sonho de viajar sobre duas rodas... Com ela aprendi a pilotar. Mas depois de mais de 100.000km rodados, em seis anos nos quais ela me pertenceu , a maior viagem foi uma mal-sucedida visita ao agreste pernambucano, 600km de estrada ida e volta, sem grandes acontecimentos. Depois de um breve período sem moto, em 2006 comprei uma Tornado, com o sonho de ir até o deserto de Atacama, no Chile. Mas levei mais de três anos pra realmente começar a empreender viagens de moto. Durante esse tempo viajei bastante de carro, fui ao Rio e São Paulo, saindo de Recife, duas vezes, com meu operacional gol vermelho, além de Chapada Diamantina - BA e Canoa Quebrada - CE. Mas depois de trocá-lo por uma caminhonete Ranger, comecei a gastar demais com manutenção veicular. Ainda fui ao Rio e Minas com ela, mas concluí que as despesas ficavam muito altas. Então, finalmente, resolvi equipar a Tornado pra viagens...